segunda-feira, 26 de março de 2012

Ponto... Ponto? Ponto.


Fim do texto. As palavras terminaram. Foi ponto final.
Depois de tantas reticências e interrogações, a exclamação grita “acabou!”.
Via-se a experiência entre aspas, não pertencente ao contexto. Como se a voz do Autor Divino delimitasse seu tempo. E o fez.
Fracionado muitas vezes pelo humor negro das vírgulas, chegou a confundir pela complexidade da estrutura. Faltou concordância. Algumas linhas vazias. Excesso de letras em outras. A condenação pela não linearidade. O erro.
Por vezes ansiou-se o início de um novo parágrafo. Mesmo que morto. Mesmo com o término das páginas. A falta de tinta. 
A mesma ânsia que provocava o delírio pelo vislumbre dos dois pontos, o signo da expectativa... O ponto final duplicava-se, transfigurava. Alonga, estica. Vira travessão. E cria-se um novo parágrafo... que lá se domestica. E lá fica... Esperando a voz da próxima frase.

E como é difícil ler o silêncio.


4 comentários:

  1. ADOREI!

    Muito bom meeesmo!

    Parabéns!

    Beijo grandão.

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  2. Esse final foi foda com o perdão da palavra: Como é difícil ler o silêncio...Maravilhoso!

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  3. Difícil interpretar o silêncio, porque quase sempre ele tem o poder de nos "dizer" tudo aquilo que não queremos ouvir

    Texto genial!

    Bjim.

    @ChrisRibeiro

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  4. Mas tudo tem seu tempo, seu valor, seu significado. O silêncio fala como dois olhos. E se é difícil ler, imagine ouví-lo. A cadeira vazia, apesar de ser um momento árido e de deserto, faz parte do caminho que leva ao oásis. Tem o seu porque, basta seguir em frente. Parar ou desistir, jamais.

    Adorei o texto. Único como sempre.

    bjo

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