quarta-feira, 14 de março de 2012

O conto novo


Entra, deixa a chave na mesa.  Deixa os problemas lá fora. Se deixa.
O microondas vai apitar, abre o vinho pra mim?
É, é um conto novo. Do novo. Não adianta me desconcentrar.
É pelo pão do dia. Pelo salto fino. 
Deixa eu te contemplar, é só o que basta pra inspiração chegar.
Não sei... mais uma taça? Espera, faltam só alguns trechos.
Algumas páginas, eu acho. Me diz, pra que esse perfume?
Preciso continuar, é sobre o vislumbre de uma nova terra. Liga o ar, tá quente.
Sim, pode tentar. Mas já adianto que com as palavras não é fácil lidar.
O teu conto é mais profundo, profano. Não vende. 
Me escreve com os dedos na nuca... Espera, tenho que continuar.
Desenha os parágrafos nos lençóis, são brancos e novos. Toca, pode tocar. Assopra tuas rimas na minha cintura. 
Tá certo, ele pode esperar.
Mais tarde termino. O conto novo. Do novo. De nós.

7 comentários:

  1. "Tá certo, ele pode esperar"

    Fala sério hein Fer! a-do-rei... como sempre, né?

    Beijo, lindona.

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  2. É Fer... vc realmente me lê.. obrigada pq vc nem sabe q com essas palavras me devolveu o que eu tinha desistido na madrugada... mesmo q só por hj, mesmo que só por agora....

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  3. Embasbacada!
    Sem palavras p dizer o qto é maravilhoso...
    Mas "maravilhoso" tb serve!

    bjs linda

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  4. O texto é instigante, excitante e perfeito! Um espécie de moldura de luxo para sua foto sobre o piano.

    Bjim.

    @ChrisRibeiro

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