quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Enquanto ele dormia...

Eu adorava vê-lo dormir. Não sei por que, mas adorava. Era um sono cândido e simples. Um momento que o homem forte, se transformava em um menino frágil. Aquilo era tão lindo.
Ele virava de lado, elevava um pouco a cabeça e colocava uma das mãos embaixo do travesseiro. Suas pernas às vezes se entrelaçavam, não gostava muito de cobertor.
A sua respiração tinha um cheiro bom. E seus lábios ficavam levemente fechados, quase esboçando um sorriso. Os cabelos desarrumavam e formavam uns cachinhos engraçados.
Ele dormia rápido. Mal começávamos conversar e ele pegava no sono. E eu gostava disso. Esperava o dia todo pra ver aquele homem dormir, tão entregue, tão humano, tão meu...
Às vezes ele se virava pra cima e mexia um pouco no rosto. De vez em quando despertava e me flagrava velando seu sono. Me olhava com aqueles olhos castanhos semi abertos e não dizia nada, só sorria e voltava a dormir. E eu ali, só olhando e pensando que meu mundo inteiro batia dentro daquele peito.
Aproveitava cada minuto pra admirar toda a geografia dele. Descobri detalhes tão bonitos. As marcas do tempo já estavam em seu rosto, a pele era tão macia e os pelos do corpo pareciam estrategicamente posicionados, adornando-o. Como era bom sentir o ar quente daquela respiração. Era como meu oxigênio pra respirar também.
Amanhecia... eu me pegava acordando sozinha na cama. Mais um dia de espera... esperar anoitecer pra eu ver de novo o sono mais lindo desse mundo...  

domingo, 26 de dezembro de 2010

Evolução...

Tenho andado confusa. O mundo me atordoa e me efervesce as idéias. Dúvidas. Certezas. Desejos e medos assombram minha tenebrosa mente, cada vez mais fértil, e insana. Cada dia mais certa do que quer, ou não... impulsiva.
Me sinto colocando os pudores de lado. Até para ser sensata é preciso ter bom senso. E eu corro. Corro em busca de respostas que sei que jamais virão. E outras que já estão aqui, esperando minha coragem para absorvê-las.
Me tornando mais forte. E frágil. Resolvendo os problemas do mundo e implorando para alguém me trazer o mundo com um abraço. Chorando, sofrendo... Me surpreendendo com minhas descobertas e rindo da minha instabilidade.
Na busca incansável de uma liberdade utópica que ao mesmo tempo me faz querer ser presa. Presa à minha perdição, que me devora a alma e me transporta ao nirvana com a velocidade do pensamento. É emoção, evolução, ebulição...
E dentro da minha loucura comum, me entrego aos delírios secretos. E queimam. E sobem ao cérebro, e ferem. E me trazem cada vez mais questionamentos, me tornando grande diante de mim, e pequena diante do mundo.
Desse tornado alienador só uma certeza: nunca vou me conhecer. Pra falar a verdade, acho que nem quero. O mistério me excita...


quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Aleluia irmão!

Um fato estranho que aconteceu comigo hoje a tarde me inspirou a fazer esse post.
De repente, uma pessoa com quem convivi algum tempo aparece um tanto transtornada e absolutamente fanática por sua nova vida. Sua nova religião. Chegou praticamente aos berros, gritando a "palavra do Senhor" e deve ter "evangelizado" (sim, porque aquilo não foi uma conversa) por cerca de duas horas seguidas.
Não aguentava mais aquele papo. Estava cansativo. E não se podia argumentar em nada. A "palavra" dela sempre tinha razão. E ponto.
Perei pra pensar no que tem se transformado as religiões hoje em dia. Não quero entrar em polêmicas nem desrespeitar nenhuma crença, mas será que as pessoas não percebem que através de pregações intermináveis não é possível converter ninguém?
Eu não confio em grupos que se acham donos da verdade e só aceitam seu Deus como verdadeiro. Deus é um só, e está presente em todos os lugares em que verdadeiramente O aceitam.
Quantos líderes religiosos vemos envolvidos em escândalos, pedofilia, corrupção... E não nos damos conta que o vizinho, trabalhador que nunca foi à igreja tem uma índole inquestionável e o coração livre de certos preconceitos.
Gritar no ouvido do cidadão, ameaçando que ele vai arder no mármore do inferno caso não aja como o "grupo", é extremamente repugnante. Se envolver quantias exatas de dinheiro, pior ainda. Ok, ajudar a comunidade a qual pertence, acho louvável. Mas tenhamos bom senso, please.
Pra mim, a melhor maneira de tocar o coração de alguém é através das atitudes. O bom exemplo ainda é o melhor modo de inspirar as pessoas. Portanto senhores evangelizadores, falem menos e ajam mais. E atitudes de acordo com as que prega, porque a máxima "faça o que eu digo mas não faça o que eu faço" não cola muito em quem se diz de Deus, né? E muito pior que andar "no caminho do mundo", é fazer isso durante o dia, e depois bancar o puritano na igreja, durante a noite.
E ponto final.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Feliz Ano Velho!

É chegada a hora! Dia 31 de Dezembro, 23h30... Logo logo começa a contagem! "Liga a TV pra gente ver os fogos em Copacabana!" 10... 9... 8... 7... 6... (e os dez segundos mais longos do ano inteiro!) enfim: FELIZ ANO NOVOOOO!!!!
Abraços, votos de felicidades, brindes, promessas... E o ano começa, e tudo é esquecido. Voltamos ao stress, ao sedentarismo, viramos novamente a cara com a prima (sim, porque só no dia de ano novo que você se permitiu um abraço naquela lá). E o velho ano novo recomeça.
Se a mudança não for real, não vier de dentro, sorry, mas tudo continuará absolutamente igualzinho no mês passado. O virar do relógio da meia noite para meia noite e um não fará você ser uma pessoa melhor. É preciso atitude! E individual. Sim, porque não podemos mudar o mundo. Mas começando por nós mesmo já é uma grande coisa.
Esse ano eu aprendi que depositar a felicidade em outra pessoa é o caminho mais curto para a infelicidade. Que não posso mudar ninguém (por mais que eu queira). Aprendi que algumas convenções são hipócritas e me permiti viver com menos preconceitos. Comecei a gostar de tomate seco e de funghi. Percebi que correr atrás da felicidade é mais difícil que eu pensava, mas o caminho é delicioso. Redescobri paixões antigas (escrever foi uma delas) e experimentei novas paixões. Decidi não mais abaixar a cabeça para o que vai contra o que eu penso. Aprendi também que cada pessoa tem seu tempo e que é preciso respeitar isso. Esse ano eu descobri o quanto posso ser intensa, e o quanto posso ser fria. Amei muito. Bebi pouco. E conheci pessoas especialíssimas que serão eternas.
Como todo mortal também tenho algumas metas para o ano que vem: abraçar menos o mundo; exercitar a paciência (isso tem que ser diário, porque tá f*); tentar me preocupar menos; levar a vida mais leve; viajar; estudar; rir mais; dançar mais; beber mais; amar (continuar amando muuuuito); e pensar mais em mim, essa é a minha principal promessa de ano novo, cultivar um pouco do egoísmo em prol do meu bem estar e dos que me cercam também.
Mas não vou escrever uma listinha e dar um "ok" em item por item. É um processo natural, de evolução humana. A mudança vem de dentro, e desde já. Não é preciso esperar dia 01 de Janeiro para começar por uma nova estrada. A vida é uma constante, o mundo muda toda hora e o tempo é precioso demais pra nos darmos ao luxo de desperdiçá-lo com um: "ano que vem eu começo". O verdadeiro ANO NOVO está aí dentro, e pode começar quando você bem entender.
E então, bora arregaçar as mangas?
Salute!

Bonequinha...

De repente descobri que aquilo tudo não era real. Que aquela delícia de amor não passou de uma brincadeirinha de criança. A dor da decepção é uma das piores, sabia? Perceber que eu viajei na maionese, e criei expectativas em cima de uma relação de mentira, dói demais.
O problema é que eu estava muito alto. Naquela nuvem mais macia, tocando harpas com os anjos. E quando abri os olhos não tinha mais a sua companhia, na verdade, nunca tive. Era ilusão. Miragem.
Caí da nuvem. E lá embaixo, ninguém pra me segurar. A queda machucou muito. Deixou marcas. E então eu fico me martirizando com a sensação de ter bancado a idiota.
A idiota que por muitas vezes se sentiu um brinquedo. Uma bonequinha. Daquelas que você gosta muito, brinca muito, mas logo enjoa e deixa de lado. Então quando se lembra, volta e brinca mais um pouquinho... Só que a bonequinha aqui tem vida. Ri, chora, deseja, ama...
Mas não me arrependo. Se amei demais, é porque tenho grandiosidade pra isso. Se te coloquei em um patamar de grande importância, é porque achei mesmo que você merecia. Aliás, sou até grata. Você me permitiu experimentar sensações únicas. Graças a você, percebi que sou capaz de devotar o mais puro sentimento com uma intensidade absurda.
Porém, acho que eu mereço um pouco mais que segundos diários de atenção. E não, não estou mesmo a fim de saber os motivos da tua ausência. As palavras já se tornaram pobres demais, e eu decidi que a partir de agora só me iludo com atitudes.
Tenta se esforçar mais na próxima. Toda mulher, por mais durona que seja, sempre quer um pouco de carinho. E toda bonequinha, principalmente as mais frágeis, precisa de mimo, cuidado... e de muitas tórridas noites de amor.


Kisses...

domingo, 12 de dezembro de 2010

É Natal, né...


Ok, sei que é clichê escrever sobre as festas de fim de ano nessa época, mas... não deu, sorry, eu não consigo segurar minha língua e não falar desse manicômio gigante que a cidade se transforma nessa época de "luz"...
E haja luz hein! É luz pra KCT!!!! Se os gastos extras com energia elétrica da cidade fossem convertidos em benfeitorias à sociedade, teríamos maiores condições de ajudar o próximo, e não apenas quando o "espírito natalino" resolve baixar na geral.
As pessoas ficam (ainda mais) apressadas. Parece que uma ansiedade coletiva atinge os mortais feito uma praga. "Trabalhei o ano inteiro, agora eu mereço gastar um pouquinho." O mais interessante é que geralmente os gastos são pagos só quando o rico dinheirinho desse ano inteiro de labuta já acabou. Daí fica pro cartão, que se estiver no dia bom, paga só ano que vem. É, em Janeiro mesmo, aquela delícia de mês que degola o orçamento de qualquer um com os IPs da vida, material escolar, etc. Bom, mas pra que pensar nisso gente, é Natal!
São listas intermináveis de "lembrancinhas", inclusive para aquela vaca da irmã do seu cunhado que dá em cima do seu marido, mas... vai ficar chato deixar a piriguete sem presente. E também, é Natal, né...
Os shoppings são um circo a parte. Gente, muita gente. Fila, muita fila. Stress, muuuuuito stress. Não foi ainda, amigo? Na boa, vá a pé. A menos que queria fundir o motor do carro rodando (a 2 km por hora) atrás de vaga no estacionamento. Ops, não encontrou a vaga? Ahh, coloca ali no cantinho mesmo, em cima do meio fio, esquenta não, as pessoas vão entender, afinal, é Natal, né... E não esqueça as crianças! Compras de Natal não são compras de Natal sem os pequenos adoráveis por perto, que aliás, ficam os últimos dez dias do ano em um esforço sobre humano pra se mostrarem comportados e ganharem o presente daquele velhinho esquisito que parece nunca sentir calor... (só pra constar: eu gosto de crianças, porém, prefiro manter uma distância segura delas, ok?).
Não quero entrar na questão de que o Natal perdeu seu real significado, que virou comércio, etc etc etc... Mas me incomoda esse moralismo barato que permeia as mentes nessa época. Temos que ser legais por obrigação? E se eu quiser levar um presente a uma criança carente em Março? E se eu não tiver a menor vontade de desejar pazamorsaudesucesso ao meu chefe? Pior, e se eu assumir que DETESTO peru? Não vai adiantar nada, porque independente dos meus pitis, o Natal vem. Nem que seja uma vez por ano.
E quando chega a grande noite... Um mundo de comida (que deve ser requentada a semana inteira), biritinhas que ainda serão a ruína da festa, e o amigo secreto... Ahh, o amigo secreto! O tio tirou a sobrinha precoce que já estuda semiótica, e a "presenteia" com o DVD do Luan Santana. O pai palmeirense, pela décima terceira vez ganha aquele copo com o escudo do time. As crianças (de novo, os anjinhos) gritam alegremente - em um tom vocal inalcançável - ansiando pela abertura dos presentes. Enquanto isso, o menino Jesus, no presépio sem entender muita coisa...
Mas... é Natal, né...
Besos!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

No mesmo ritmo.

Era uma vez uma princesa... Uma princesa que estava entediada com sua vida no castelo e um belo dia decidiu sair...
A princesa saiu sem falar nada pra ninguém, não havia nada demais afinal, era só um passeio. Porém ela andou muito, e acabou saindo dos limites de seu reino. Fora dali, de seu eixo, ela já não sabia mais o que poderia encontrar. Mas gostou da sensação de medo e excitação que estava sentindo.
De repente começou a chover. Muito. E escureceu. A princesa já não podia enxergar muito bem e não conseguia encontrar o caminho de volta. Numa tentativa de se desvencilhar de galhos e folhas se feriu, um enorme espinho a fizera sangrar. Desesperou-se. Sentou num tronco velho de árvore e pôs-se a chorar. Estava perdida, machucada e com frio...
Então começou a ouvir passos, não muito claros pois o barulho da tempestade não permitia, mas podia escutar alguém aproximando-se. Seu coração quase saltou pela boca. Quem poderia ser?
Era ele. Um príncipe. Estava a pé. Seu cavalo assustou-se com o barulho dos trovões. Ele também estava assustado e perdido. Mas claro, como um verdadeiro nobre, demonstrou coragem e doçura à princesa.
A chuva passou. O machucado da princesa já não sangrava mais. Eles deram as mãos e deciram encontrar o caminho de volta, juntos.
E como essa volta pra casa estava sendo boa. Não se desgrudavam um só minuto. Descobriram coisas em comum. Riam juntos. Era um bem estar que nenhum dos dois jamais havia sentido antes.
No entanto a princesa, ansiosa que só ela, queria chegar mais rápido e, sem perceber, soltou da mão de seu querido e passou a caminhar à sua frente, por vezes até corria. Foi quando olhou pra trás e percebeu que já estavam distantes demais um do outro.
Ela gritava pra que ele corresse. Ele só queria continuar caminhando. Então ela parou. Ficou parada por minutos pensando se valeria a pena diminuir o passo. E decidiu diminuir. Mas a distância entre eles ainda era grande demais. Foi quando ela resolveu voltar... e voltou até o ponto que o príncipe estava. Não falaram nada. Apenas olharam-se nos olhos e deram-se novamente as mãos. Dessa vez ele agarrou com mais força, não queria deixá-la escapar novamente. E seguiram juntos. Sabiam que lá na frente cada um seguiria seu caminho, cada um voltaria a seu reino. Mas optaram por curtir o passeio. Ora correndo, ora andando, mas sempre juntos, de mãos dadas. No mesmo ritmo.

Kisses...

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Me deixa sozinha...

Me deixa sozinha. No meu canto. Só um pouquinho. Só pra eu poder chorar em paz.
Só pra eu ficar ali, agachadinha abraçada ao meu joelho, pensando... pensando e rezando pra tudo isso passar logo.
Deixa eu ficar sozinha até meu rosto ruborescer e meus cabelos molharem nas lágrimas.
Me deixa sozinha pra gritar e desatar esse nó que eu tenho na garganta. Afrouxar esse aperto no peito. E sanar todas as minhas dúvidas. Que são tantas.
Me deixa quietinha só um pouco. Só o suficiente pra eu entender o que tá acontecendo. Ou pra eu entender que nunca vou conseguir entender nada disso.
Me deixa sozinha pra pensar em você. Pensar e chorar e me arrepender. Quero só um tempinho pra mim. Pra tentar compreender por que tudo é tão complicado. Por que não tenho o controle. Por que não fazer o que tenho vontade...
Me deixa sozinha pra sentir ódio de mim. Pra sentir pena de mim. Pra sangrar. Pra sofrer. Eu preciso me ferir ainda mais. Preciso me castigar. E me cobrar. Me cobrar muito, assim como todos fazem.
Quero ficar sozinha pra sentir meus desejos mais secretos sem pudor. Pra pensar em cometer as mais loucas atrocidades. Quero ter o direito de fraquejar, mesmo que por alguns instantes. Poder sentir que o mundo não me pertence.
Me deixa sozinha só um pouquinho. Pra eu me desesperar quando olhar pro lado e não te ver. Me deixa sozinha pra morrer... morrer devagarinho e sorrindo. Me deixa sozinha pra ressurgir.
Quero estar sozinha quando os soluços acabarem. Quando a fresta de luz começar a entrar. Quero olhar no espelho e ver somente o meu rosto refletido, exausto e sereno... com a única certeza de que, na verdade, eu nunca quis que me deixasse sozinha...

domingo, 5 de dezembro de 2010

Tão perto, mas tão longe...

Vidas diferentes. Tempos diferentes. Gostos tão iguais. Assuntos tão parecidos. Risadas, brigas. Tudo tão intenso. Sempre tão próximos e ao mesmo tempo tão distantes...

Próximos eram fogo. Paixão. Desejo. Apropriavam-se como um pedaço de chão. Possuíam-se com tamanha força a ponto de se tornarem um só. Era um só coração, uma só alma, um só gosto de suor, um só timbre de voz. Devoravam-se como se o resto mundo houvesse deixado de existir. Esqueciam-se das obrigações e das realidades. Tomavam-se sem pudor, sem pressa e sem medo das possíveis marcas que permeariam em seus corpos. E marcavam-se.

Distantes, eram abismo. Cinza. A sempre presente despedida vinha acompanhada de generosas doses de dor. Saudade... O choque de vida real trazido pela ausência do toque, do cheiro. A falta enlouquecedora que surgia nos surtos de frieza e de desapego. O ciúme. A desconfiança. A carência extrema e a intolerância. Era vontade demais...

Os corações saltavam a qualquer sinal. Trocavam declarações e farpas. Mesmo longe, sentiam prazer juntos, quase que por telepatia. Ela sabia, ele estava . Ele também sabia, ela sempre estaria . Tão perto, e ao mesmo tempo tão longe...

Bacio!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Inconstâncias.

Não tinha o hábito de falar o que sentia. Então ela resolveu escrever...

"Tenho vontade de te virar do avesso. De periciar cada cantinho seu pra ver o que tem aí dentro. Quando do alto da minha altivez jamais podeira imaginar alguém tão inconstante quanto eu mesma, você surge da forma mais simplória e acaba com meu sono.
Você faz tudo errado, e no fim acaba acertando. Tem os defeitos mais inaceitáveis e é irritantemente perdoável. Em pouco tempo acaba comigo e com a minha vontade de respirar. E em milésimos de segundo faz me sentir Afrodite reencarnada. Sim, se mamãe não tivesse me dado uma bela educação emocional já estaria na vigésima caixa de rivotril.
E por que será eu gosto tanto de você e continuo te querendo feito louca? Só pode ser esse seu jeito instável... eu me entedio fácil, e sua forma volúvel de conduzir os dias acaba me mantendo interessada. É... deve ser isso. Bom... sei lá, certas coisas não foram feitas para serem entendidas. E essa nossa relação é complexa demais pra definir de uma forma racional.
Confesso que já pensei algumas vezes em cair fora. Dar um tchauzinho e dizer: "foi bom, mas preciso de alguém que me dê mais mimo". Mas é tão difícil desistir de você. É tão difícil resistir a você. Então eu fico aqui, esperando sua vontade. Esperando você me desejar por mais um tempo. Três horas fazendo amor é pouco... Eu quero o lance full time, saca?
Ok, tô levando minha vida, escrevendo um pouco, trabalhando um pouco... pensando em você em cada meia que eu coloco na máquina de lavar. Pensando se hoje vai ser um daqueles dias que você me liga meia dúzia de vezes, ou daqueles que cava uma briga pra ficar longe uma semana. Tendo sempre como consequência a massagem do seu ego de me ver correr atrás todas as vezes, mesmo estando certa da minha razão. E não posso nem desdenhar da sua pretensão, porque vou continuar fazendo... até quando meu amor não for mais suficiente pra isso, ou até quando minhas pernas se cansarem..."

"E te espero. E te curto todos os dias. E te gosto. Muito." (Caio Fernando Abreu)

Besos...

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Vem...

Pega. Toca.
Morde.
Sussurra. Arrepia.
Treme.
Esquenta. Gela. Sopra.
Arranha. Aperta.
Geme.
Pensa. Grita.
Cala.
Olha. Age. Faz.
Encaixa. Respira. Fala.
Rola. Manda. Traz.
Sua. Acelera. Molha.
Sente. Seca.
Contém.
Explode. Deseja. Enlouquece.
Ama. Entrega. Vem...

domingo, 28 de novembro de 2010

A menininha...


Vou te contar um segredo: ninguém sabe, mas... eu choro quando fico triste.
Sinto saudades...
Me revolto com as injustiças do mundo.
E me emociono com certas músicas.
Ninguém sabe, mas... existe uma menininha aqui dentro. Que sofre. Que teima. Que quer. Que ama.
Uma menininha que só quer um abraço teu de vez em quando. E sentir que debaixo dos seus braços nada no mundo a fará mal.
E quando chegar de um dia ruim, poder deitar no teu colo e ter a certeza de que tudo vai ficar bem.
Ela quer ser protegida. E também quer cafuné.
A menininha quer tomar sorvete e brincar na praça. E ela é super carente de atenção.
Como toda criança, chora fácil. Se magoa fácil. Mas também perdoa fácil. Não guarda rancor.
Ela vai brigar com você e dizer que está de mal pra sempre. Mas amanhã ela esquece tudo e quer de novo tua companhia.
Mas é uma criança mimada. Quer muito afago, muito carinho... tudo pra ontem. Ela é muito impaciente.
Mas é só uma menina. Não tem maldade. Ela gosta de você e te quer por perto, só isso.
E o lado mulher racional por muitas vezes sufoca essa criança. Ela só vem no frio da madrugada, na solidão das manhãs de domingo, nos momentos em que o vazio da tua ausência chega a doer.
E ela está aqui agora, querendo ser cuidada. Já pedi pra que fosse embora, mas sabe como é criança teimosa...
E então, você quer brincar?

Besos...

sábado, 27 de novembro de 2010

Maturidade...

E do alto dos meus 24 anos de repente descubro: Não, não sou tão madura quanto pensei.
Acho que admitir isso é um sinal de maturidade, e é incrível me descubrir amadurecendo mais a cada dia.
O bacana é perceber que nem sempre amadurecer é "encaretar". Pelo contrário, hoje já não me importo com certas convenções que antes me eram tão necessárias.
Passei a crer mais em mim mesma e dar menos relevância à opiniões alheias.
Com o passar do tempo nós entendemos tanta coisa...
Entendemos que Caetano Veloso não é tão chato como achávamos na adolescência, e que salada no almoço é realmente o único caminho para um corpitcho alinhado.
Enxergamos que aquela pessoa que nos trata bem, nem sempre é quem nos quer bem de verdade.
Finalmente concordamos com nossas mães no quesito que "homem nenhum presta", mas continuamos insistindo, afinal somos brasileiros e não desistimos nunca!
Experimentamos o prazer e o desafio que é trabalhar naquilo que escolhemos.
Tomamos decisões importantes, como tomar ou não um porre na sexta-feira a noite. Saimos pra tomar café (Meo deos, café! Eu odiava isso há alguns anos atrás!).
Conseguimos assimilar que a vida não termina depois da faculdade. Que estudar nunca é demais e que jamais saberemos tudo sobre qualquer assunto.
Aprendemos a selecionar pensamentos, tentamos controlar sentimentos, e constatamos que, definitivamente, no coração não se manda.
Você já não precisa receber dúzias de ligações pra saber que a pessoa se importa. Ela existe, está lá, e isso basta. Passa a dar mais valor em uma bela noite de carinho. Os presentes não precisam ser caros, precisam ser sinceros...
Acredito que acima de tudo, a maturidade traz coragem. Coragem para enfrentar o que for preciso. Coragem para viver tudo que se deseja.
Poucos são os que amadurecem conscientemente. Quando damos conta nossas opiniões e desejos já não são mais os mesmos... e isso é bom demais! Mudança constanste, o mundo não pára mesmo. "Metamorfose ambulante" ever! E se hoje eu tenho audácia suficiente pra me permitir mudar de opinião, sentir, querer e viver o que quer que seja, sem dúvida isso está vindo com ela, que continuará me transformando sempre... a Maturidade!

Bacio!

domingo, 21 de novembro de 2010

Futuro do Pretérito

*Futuro que ocorre no passado, algo que poderia ter acontecido. Hipótese, incerteza, irrealidade.

Eu iria até aquela cidadezinha. E tomaria sorvete com você na praça.
Eu andaria contigo de mãos dadas. E usaria o vestido que você gosta.
Eu te faria cafuné antes de dormir. Eu acordaria você com um beijo.
Eu sentiria ciúmes. Eu morreria de desejo.
Eu riria das suas piadas.
Brigaria com você. E sofreria por você.
Eu faria você querer voltar pra casa todos os dias mais cedo.
Eu criticaria suas atitudes. Eu me emocionaria com sua nobreza.
Eu te dedicaria todos os meus poemas. E escutaria "nossa" música de novo.
Eu te faria café e bolo. E viajaria contigo pro litoral.
Eu cuidaria de você.
Assistiria filmes água com açúcar. E deitaria no seu colo.
Eu te amaria muito. E te faria rir.
Eu te magoaria. E te pediria perdão.
Eu compraria o seu vinho preferido. Eu tomaria banho com você.
Eu faria você me querer pra sempre.
Diria as palavras que te agradam. E te tocaria da maneira que te enlouquece.
Eu fugiria com você.
Eu seria tudo que você sempre quis. Eu daria tudo que você merece.
...

Kisses.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

bipolaridade desejada

"Menina mulher, mulher menina... mulher na aparência, menina nos olhos... mulher na determinação, menina na fragilidade... mulher na paixão, menina no romantismo... mulher na força, menina na emoção... mulher na inteligência, na razão, menina na inocência, no coração..."


É incrível como nossa vida é sensível a mudanças. Basta um olhar, uma atitude, uma palavra (ou a falta dela), e de repente tudo muda. Como é fácil ir do céu ao inferno em questão de segundos.
Não posso dizer que me sinto confusa. Não... tenho absoluta certeza do que eu quero. Todos os meus sonhos, objetivos, vontades, desejos... todos, são absolutamente verdadeiros e urgentes (pelo menos por enquanto).
É estranho, mas creio ter dois lados bem opostos me guiando: a sensatez e a impulsividade.
Ora penso demais. Ora ajo sem pensar. Seriedade e perfeccionismo no trabalho. Colo e conselhos de mãe aos amigos. Inconsequente e intensa no amor.
Quantas eu sou? Quantas posso ser? Uma diferente a cada situação. Uma diferente a cada dia.
Posso não derramar uma lágrima em um filme romântico. Posso morrer em prantos com uma simples música...
Vestido curto e salto alto pra sexta. Jeans e bata indiana para o sábado. Camisolinha de bichinho pro domingo.
Quero a independência de poder ir onde quiser. E quero que ele tente me impedir por ciúmes de vez em quando.
Uma mulher diferente a cada dia. Quebra de rotina, pimenta da relação. Tempero da vida. Posso dizer que tenho a bipolaridade desejada.
Às vezes insuportavelmente chata. Forte, frágil, corajosa, insegura, determinada, injusta, prepotente, doce...
Meus defeitos me fazem única! Minhas qualidades delineiam meu caráter.
Palavra de ordem: querer. Eu quero mais que ontem. E quero menos que amanhã.
Gostou? Posso mudar se me for conveniente. "Posso ser o que você quiser. Mas só quando eu quiser."

"Sou sempre eu mesma. Mas com certeza, não serei a mesma pra sempre." - Clarice Lispector

Kisses

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Pensamento Positivo Sempre!!!!

Acho que um dos livros que mais demorei pra terminar de ler foi "O Segredo". Tem como tema principal o poder do pensamento positivo. O livro cansa, é verdade, embora eu creia que seja proposital. A autora parece que tenta por osmose nos fazer entender a tal da "lei da atração".

No entanto, partindo daquela máxima que "os fins justificam os meios", a mensagem que o livro passa é super válida em todas as situações. Em um mundo onde onde imperam a corrupção, a violência, a deslealdade, não é difícil se entregar ao pessimismo. Acreditar nas pessoas se torna cada vez mais complicado. São nesses momentos que a gente se entrega e acaba perdendo toda a fé que dias melhores virão.

E de fato, isso acontece. Quanto mais pra baixo estamos, mais coisas ruins surgem. É quando a famosa "bruxa tá solta". Tudo dá errado. O gatinho não liga, o chefe te recrimina, o filho adoece, o cartão de crédito estoura, até a chuva vem extamente quando você acaba de fazer "aquela" escova no cabelo. Sim, você tem certeza que o seu anjo da guarda é Murphy. Bom, isso nunca vai mudar se realmente acreditarmos nisso.

Hoje eu tenho consciência do tamanho do poder da nossa mente, não pelo livro, embora tenha me atentado mais depois que li, mas pela prática mesmo. É incrível como coisa boa atrai coisa boa! Quando estamos bem, nosso semblante muda, a luz nos olhos, o sorriso. E é fato que tudo que é bom quer ficar próximo de quem irradia luz. Isso é lógico, não tem que pensar muito. Nós seres humanos vivemos em constante busca do bem estar. Gostamos de coisas bonitas e agradáveis, certo? Aposto que ninguém curte lugar sujo, desordem, uma pessoa deprê ou mal humorada. Todos querem ter por perto o que há de melhor, mesmo que inconscientemente. Pra mim, isso é a lei da atração.

É um exercício diário. Estamos sujeitos a passar por perrengues em qualquer momento da vida. E a grande sacada de tudo é conseguir dominar os pensamentos. Obviamente, nunca conseguiremos monitorar todos, enlouqueceríamos tamanha a quantidade de pensamentos que passam por nossa mente todos os dias. No entanto, ser capaz de identificar e reverter os maus pensamentos é o passaporte para a prática do otimismo, e esse é o ingrediente principal para uma vida sadia.

Facilitadores importantes:
SORRISO - não, não estou dizendo para sair rindo de tudo e de todos por aí, como disse o poeta: "rir de tudo é desespero". Mas que um sorriso gostoso e sincero é danado de bom de ver, ah, isso é. Manter o sorriso no rosto apesar das adversidades nos deixa mais confiante.
BOM HUMOR - também não quer dizer fazer piadinha fail o tempo inteiro, isso é ser inconveniente, bom humor é outra coisa. É levar a vida de um modo mais leve, estar com o astral lá em cima. A pessoa bem humorada consegue contagiar o ambiente com energia boa.
FÉ - fator de suma importância para quem tem a intenção de viver mais que um único dia. Fé é crer. Crer em algo maior, crer em Deus, crer nas pessoas e principalmente crer em si mesmo. "Eu quero, eu posso, eu consigo."

Ok, ninguém vive como em um comercial de margarina. Os obstáculos existem e vão existir sempre. Mas se não der para atravessá-los, que tal tentar passar de ladinho? Os problemas  nos fazem pensar e o inesperado é um dos temperos da vida!

Be happy!

domingo, 7 de novembro de 2010

(in)sensatez

Ela era o eixo de tudo. Da família, dos amigos, do trabalho, da casa. Sempre centrada, era consultada por todos antes de qualquer decisão. Era o ombro amigo. A ouvinte sempre disposta a ajudar.
Tinha levado uma vida difícil. Diversas atribulações a fizeram crescer rápido demais. Pular etapas. Foi precoce em tudo. Aos 11 anos já havia vivenciado experiências que muitos aos 50 ainda desconhecem.
Era a aluna dedicada. A amiga leal. A filha exemplar. A irmã cuidadosa. A profissional competente. Obstinada, batalhadora. Inteligente e bem humorada. A mulher ideal? Não. Não era possível ser mulher sendo tantas ao mesmo tempo.
Paixões? Várias. Todas rápidas e intensas como o ritmo que sua vida levava. Não se permitia envolver. Não se permitia sofrer. A vida já havia sido dura demais, o que ela queria agora era a felicidade palpável, realista. Sonhos? Só em relação aos cursos e aos trabalhos que gostaria de realizar.
Um belo dia se depara com a oportunidade de um amor sincero. Um amor seguro. Era o príncipe e a princesa. O relacionamento perfeito.
Mas o conto de fadas se esvaiu. De repente não queria mais aquele mundo. Abriu mão de toda sua estabilidade para arriscar-se em vôos solos. Pela primeira vez ela tinha dúvidas, questionamentos.
Foi quando surgiu a libertação. Ou a loucura. O que a princípio tinha a candura de uma criança, em pouco tempo revelava-se absurdamente perturbador. Como nunca antes, ela estava sentindo. E sentia fortemente. Entregou-se sem pudor. A vida corria por suas veias freneticamente. Ela se permitiu envolver, e sofrer. Aquela que era a rainha do bom senso havia se transformado em uma garota inconsequente e passional. Esqueceu-se absolutamente de todas as regras. Ultrapassava todas as barreiras. Fora brutalmente criticada. A razão a dizia para parar. Mas seus ouvidos tinham sido fechados para qualquer decisão racional. Viver aquilo era tão extasiante que nada mais importava. Como alguém que jamais experimentou qualquer substância alucinógena e subitamente passou a fazer uso de doses cavalares da droga mais pesada. Viveu momentos nunca antes vividos. Sentiu arrepios nunca antes sentidos. Foi perigosamente fulminante. E deliciosamente intenso. Simplesmente não conseguia mais parar. Ela queria mais. Precisava de mais. Veio a dependência. A loucura. A obsessão... Em consequência, a rejeição. A abstinência. O sofrimento. A realidade.
Sim, a realidade volta ao mundo dessa mulher. O sonho acabou. Mas ainda restava um ínfimo lado utópico dessa experiência. Ela ainda queria. Sim, ela queria muito. No entanto de uma forma mais realista. Teria tomado de volta a sensatez? Provavelmente sim. Pelo menos até ela se permitir viver novamente...

Besos.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Um passeio em um fim de tarde.

Resolvi sair. A angústia já não cabia nos 60 m² do meu apartamento. Precisava de ar.
Fui meio sem rumo, queria um lugar pra ficar só e pensar na vida. Lembrei de uma pracinha aqui perto.
Bermuda jeans desfiada, rasteirinha e óculos escuros. Nas mãos uma garrafa d'água, chave de casa, celular e um documento (é, sou meio paranóica com esse lance de andar com documento).
Acho que minha cara não devia estar das melhores. Os únicos três garotos que estavam na praça saíram rapidinho quando eu cheguei. Ótimo, eu tinha todo aquele espaço só pra mim.
Sentei com os pés cruzados no único banco em que fazia sombra, e por alguns instantes elevei meus pensamentos a Deus. Eu só conseguia pedir força. Era a única palavra que habitava minha mente.
As lágrimas foram inevitáveis, era como se eu estivesse deitada no colo de Deus recebendo acalanto. Sabe quando você está mal e alguém te abraça? Dá uma super vontade de chorar horrores né? Então, foi assim que eu me senti naquele banco.
Passados alguns minutos, quando os soluços já estavam mais brandos, eis que recebo companhia: uma família com várias crianças para fazer, acreditem se quiser, um piquenique na praça. E claro que o melhor lugar era exatamente em frente ao "meu" banco. As crianças me olhavam como se vissem um ET ("que será que essa tia louca tá fazendo com os pés em cima do banco, de cabeça baixa, mexendo no chaveiro de luzinha?"). Foram com direito a tudo, desde toalha quadriculada à cesta com frutas e biscoitos. Aquilo me incomodou um pouco. Não sei se pelos gritos das crianças (que sinceramente, não era o melhor momento pra eu escutar), ou se pelo contexto cênico daquela parafernália toda. Enfim, resolvi procurar outro canto pra ficar.
O sol estava morno e as ruas bem calmas. Nas poucas casas que se ouvia barulho, era alguma briga, alguma música, algum choro de criança ou algum "parabéns pra você". Pois é, deu até pra reparar nessas coisas. Descobri casas lindas, prédios que eu nem imaginava que existiam, muitas árvores, e flores... e beija-flores!
Logo encontrei outra praça. Mas nessa sou capaz de jurar que tinha mais gente do que nos três shoppings da cidade juntos! Poxa vida, não é possível se encontrar um lugar com privacidade nesse bairro?
Resolvi voltar pra casa. Esse passeio ao redor de 10 quarteirões durou cerca de duas horas. Eu andava e pensava. E andava mais um pouco, e pensava mais um pouco. Acredito ter entrado tão dentro de mim mesma que só percebi que estava na rua ao ouvir a buzina estridente de um motociclista. Sim, fui dar uma chapeuzinho vermelho e quase morro atropelada.
De repente eu senti fome. É, fome mesmo. Por alguns instantes fiquei decepcionada comigo. Como poderia sentir fome num momento tão poético? Todo aquele ar de cinema francês e meu estômago querendo comida?
Foi então que eu me lembrei que sou humana. Com todos os defeitos e necessidades que isso implica. Meu corpo não quer saber se estou recitando sonetos ou refletindo sobre o sentido da vida. Ele precisa de combustível para continuar e eu sou a fonte disso. Tenho que querer que ele continue e tratá-lo com o devido respeito.
Se eu ouvi o choro da criança ou a briga do casal, é porque, mesmo enquanto eu estava tendo uma crise existencial, a vida não pára. Infelizmente não temos a tecla "pause" e muito menos "slow motion". O mundo continua independente da nossa vontade. Não, a vida não é como nos filmes. O mocinho nem sempre é tão legal e provavelmente você se apaixonará pelo antagonista da trama. Ou pelo figurante mesmo.
Posso afirmar que, esse passeio hoje fez minha vida se tornar menos poética. Trouxe uma dose sutil de realismo. Ah, e uma leve dor nas pernas também...

Beijinhos.

sábado, 30 de outubro de 2010

Acorda menino...

Nossos queridos exemplares do sexo masculino, é a vocês que me dirijo agora. Fui um pouco dura no último post, pra dar um chacoalhão mesmo. Mas nesse momento, ao som de More Than Words, achei que devia falar um pouco também com você, cavalheiro, que me dá a honra de ser meu leitor.

Nós mulheres, razão da sua existência, ao contrário do que dizem, somos bem simples de lidar.

Ela não quer um perfume caro, ela quer que você se lembre a data. Ela não quer um restaurante luxuoso, ela quer um jantarzinho a sós com um bom vinho. Mais importante do que "você é linda", é ouvir "você está linda". Sim, por favor reconheça as horas que ela passou se arrumando pra você.
Ela não quer saber se você vai na esquina comprar pão, mas seria ótimo receber um sms dizendo que acordou pensando nela. Passaria dois meses sem te ver numa boa, contanto que você dê a devida atenção, claro. "Quem foi que disse que pra estar junto é preciso estar perto?" Esteja perto em pensamentos, declarações...

Entenda que em um determinado período do mês as coisas serão um pouco tensas (TPM fellings). E se ela não quiser falar, por questão de sobrevivência, não insista!

LIGUEEEEE!!!!! Mas não exagere, normalmente as mulheres se entediam fácil, então faça um charme às vezes. Contrarie-a de vez em quando, isso nos deixa possessas, e mostra que você tem atitude.
Não a proiba de sair com aquele vestido, mas fale (numa boa) que sente ciúmes. Viva sua vida, saia com seus amigos e a permita que faça isso também. Mas não se esqueça NUNCA que você tem alguém que se importa contigo, consideração é muito importante.

Demonstre! Surpreenda! Mande flores numa terça-feira à tarde, apareça na portaria do prédio dela de madrugada... Responda aos e-mails!!!! Mulher detesta ser ignorada e a única coisa que você consegue com indiferença é um belo par de chifres. Sim, somos extremamente cruéis quando preciso.

Apresentar à família é necessário, mas não fundamental. Ela dificilmente gostará da sua mãe então não se apresse com isso. Mas a inclua na sua vida, compartilhe os momentos, as dúvidas. A gente se sente importante quando vocês pedem nossa opinião.

Faça planos com ela. Planos, não falsas promessas. Isso de "vamos viver o hoje" pra mulher não funciona. Nós precisamos pensar no futuro, então não se zangue se ela quiser saber que horas vocês vão se ver no último sábado do mês que vem.

Acredito que RECIPROCIDADE é a palavra. Se ela te dá carinho e atenção, o mínimo que ela espera é ter o mesmo de volta. Dar sem receber cansa.
Imagina uma roseira... linda e delicada, assim somos nós (ok, com alguns espinhos também), porém, se você não cuida da roseira, um dia ela pára de florescer e morre. Não, ela não vai morrer por você, mas o que ela sente, talvez...

Não se paga amor com indiferença. Seja sempre claro, se não quer mais, DIGA! Iludir ou brincar com os sentimentos de alguém não é legal. Isso, óbvio, vale para ambos os sexos.

E se ainda quer... corra atrás! Ela disse adeus? Puro charme! Ela está louca pra tocar o telefone e ouvir sua voz. Lute! Não se encontra amor sincero em qualquer esquina. "Onde não há sacrifício, não há virtude!"

Bacio...

ACORDA MENINA!

De repente, naquele seu pior momento ele aparece... Um verdadeiro príncipe caindo no seu colo e cheio de amor pra dar. É muita sorte certo? ERRADO! Pelo menos na maioria das vezes.
Você cai feito um patinho (ou patinha, se preferir). Na hora em que mais precisa de carinho e atenção surge um anjo em sua vida disposto a te levar à Marte se for preciso.
No começo você até titubeia, mas é difícil demais resistir a esse pedaço de mau caminho né? Putz, por que mulher é assim, hein?
Daí vem as promessas, os planos juntos. Sim, vocês realmente vão passar o fim de semana naquele Hotel Fazenda lindo! Ele te liga (meo deos, ele LIGA!), manda e-mail, torpedos e tudo mais que a maldita tecnologia permite. Você sabe de absolutamente tudo da vida do seu "mor" (ou pelo menos acha que sabe).

Então num belo dia você cai da cama e descobre: "tô apaixonada!"... Querida, F-U-D-E-U!!!! Você acaba de estragar todo seu conto de fadas fake.
Experimenta dizer "eu te amo". Rá! Já fez? É isso mesmo que acontece, essas três palavrinhas são repelentes para homens que não querem compromisso. "Como assim não quer compromisso? Ele disse que era sério, que era especial..." Dear, pra continuar te levando pra cama ele vai dizer até que você é mais sexy que a Jolie...

Do nada ele sumiu? Não liga mais e não retornou nenhum dos 36 e-mails que você enviou ontem? "Ah, mas tem o trabalho dele, o problema que ele tem em casa, os estudos..." olha só, não tô querendo fazer ninguém se jogar do viaduto, mas na boa, se alguém gosta de verdade, quer de verdade, se interessa de verdade, não há motivos no mundo que o faça ficar longe.

Wake up baby, vocês não vão se casar em Las Vegas nem viajar pra Costa do Sauípe nas próximas férias.

Se quiser continuar nessa, ótimo! É tudo o que ele quer também. Mas se você acha que merece mais da vida, das pessoas e do amor, ACORDA! Dói muito, aff, e como dói abrir mão de quem a gente ama. Mas o nosso amor próprio vem sempre em primeiro lugar. Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima nega! Tem um monte de sapo por aí louquinho pra ganhar o beijo de uma princesa!

Beijinhos!

Era apenas um copo d'água.

Não mais poderia continuar naquele abismo. E então... pular ou retornar?


Pular significaria o encontro com uma nova vida. Ou com o fim dela.
Retornar a faria ter certeza de continuar vivendo, porém, pela metade.

Lá em baixo havia um oásis. O mergulho poderia ser delicioso, e poderia ser fatal. Aquela imagem a chamava, a seduzia... "Vem, só eu posso dar o que tanto procuras."
E nas suas costas, um sopro: "fica, só eu posso cuidar de você como merece."

Ela queria ser cuidada. Mas ansiava por um mergulho. Pular ao encontro do desconhecido ou contentar-se com uma vida mascarada?

Ela pulou... E o oásis não estava mais lá. Era apenas um copo d'água. Senti-se dilacerada. Uma mistura de dor e decepção aliado a impotência de nada poder fazer para tê-lo de volta. Onde, na realidade, ele nunca existiu, fora uma miragem, fruto de uma mente perturbada e de olhos fatigados com uma vida de ilusões.

Ela chorou... E então se levantou, arrancou alguns cacos de virdro que haviam cortado sua pele, e seguiu. Sem olhar pra cima... Sem olhar pra trás...

Besos...

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Cansaço...

Estou cansada.
Cansada das convenções que o mundo me impõe. Cansada da hipocrisia aceita deliberadamente.
Cansada da pseudo revolta dos caras de "direitos humanos", onde todo o fundamento não passa de interesse.
Cansada de tudo girar ao redor dos interesses. E não do coletivo, mas sim interesse individual, sempre.
Cansada de ver a mãe de salto 15 cm, batendo perna no shopping e só lembrar que tem filho na hora de passar a frente na fila do supermercado.
Um mundo onde o mais importante é o nome da Universidade que você estudou, não as habilidades adquiridas no curso.
Um lugar onde suas medidas corporais são levadas mais a sério do que suas idéias.
Estou cansada de ver pessoas infelizes por manter uma vida de aparências.
Cansada do falso, do intangível.
Cansada das vontades sufocadas, dos desejos escondidos.
Cansada de ter que sussurrar meu grito...

domingo, 24 de outubro de 2010

Amor real.

Lendo esse post no blog da minha amiga Cris Paulino, me veio na cabeça qual o conceito que nós temos do que vem a ser a pessoa ideal.

As revistas transcrevem o modelo perfeito pelo qual devemos nos apaixonar: carinhoso, íntegro e rico.
Nossa mãe também dá suas recomendações: "o homem sempre deve gostar mais filhinha, porque mulher já é boba por natureza, apaixonada então..."
E nós passamos a vida procurando moldes prontos. O rapaz lindo, pós graduado, inteligente e gentil. A moça escultural, bem humorada, independente e que adora sexo.

Mas nem sempre é assim. Pensando bem, quase nunca é. De repente você resolve se apaixonar pelo frentista do posto ou pela secretária do seu dentista.

Ele tem um jeito lindo de te olhar, mas fala muito palavrão. Ela teima em fazer escova naquele cabelo cacheado lindo, mas faz uma massagem na nuca que te arrepia.
Na verdade ele não se veste como você gostaria, e seu gosto musical é duvidoso. Ela usa aquele salto só pra ficar maior que você, e você detesta isso.
Ele não liga quando promete e mente de vez em quando. Ela é melosa demais e não gosta muito dos seus amigos.
Ele fala três línguas e ela nunca saiu do país. Ela pratica todas as regras de etiqueta e ele odeia colocar o guardanapo no colo.
Ela bebe. Ele fuma. Você quer pizza e ela sushi. Praia! Não, serra gaúcha!
Ele te faz chorar. Ela te dá nos nervos.

E daí? É a pessoa que você ama!
Ele te faz rir e ela é uma super companheira! Vocês compartilham das mesmas loucuras. Existe vontade de estar junto sempre. Ele te beija na testa e te acolhe no peito. Ela te abraça devagar e brinca de fazer cachinhos com seu cabelo. Os corpos entram em combustão quando se tocam. Ai, quando ele sussurra no seu ouvido... Vocês aprendem juntos. Se importam um com o outro.
Você quer cuidar dessa maluquinha. E tudo que ela mais quer é acordar do seu lado, mesmo que você não esteja com aquele hálito mentolado de sempre.

Isso é amor. Sem idealismos, rótulos. É o amor possível, cotidiano... é o amor real.

"Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que não existe razão?" - Renato Russo

Bacio...

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

De cara com o espelho...

Acordei me sentindo diferente... já esboçava algumas linhas desse texto, mas alguma coisa me dizia para esperar o fim do dia para escrever...

Era uma sensação de bem estar inexplicável. Me dei ao luxo de sair de casa sem um pingo de maquiagem no rosto. O que alguns chamariam de desleixo e falta de vaidade, eu considero ser confiança em mim mesma. Apenas filtro solar... Ah, e como o sol estava gostoso! Não gosto muito de sol, mas hoje pela manhã ele estava especialmente bom. Tocava minha pele como se quisesse me iluminar inteiramente. Sim, eu flertei com o sol no dia de hoje. 

E andava nas ruas como se estivesse em um campo holandes de tulipas. Não enxergava a fumaça, não ouvia as buzinas, e não ligava pra as gracinhas que os homens falavam enquanto eu passava (coisa bem incomum para uma feminista-chatinha).

O dia não teve acontecimentos extraordinários. Não, foi um dia normal. Mas a felicidade que me tomava conta transformava tudo em algo especial, como toque de midas... 

Nada, nem cara feia, nem palavras atravessadas... absolutamente nada foi capaz de alterar meu humor. E eu estou extasiada com isso!

E ainda tive a oportunidade de levar um belo sermão, vários palpites e muuuuitas críticas... Mas decidi não tomar o que não é bom pra mim. Sei que os que me amam querem meu bem, mas sei também que só eu posso me fazer o bem de verdade.

De cara com o espelho agora, no final do dia, eu disse a mim mesma: "É isso! É assim que tem que ser sempre!"

Às vezes sem maquiagem, mas sempre com a sensação de estar linda. Às vezes tropeçando, mas sempre forte para levantar. Às vezes frágil e com medo, mas sempre corajosa para pedir ajuda. 

Arrependimento? Sim, ele pode existir um dia. Só saberei tentando. Querer voltar atrás? Não não... na minha vida só ando pra frente. 

Beijos...

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Ajustando o foco...

Sempre tive um pouco de medo de escrever em caráter pessoal. Mas se a própria Diva Lispector desenhava seus textos em primeira pessoa, por que eu, pobre mortal, também não posso fazer?
Brincar de despir a alma através da ortografia...

Ser o mundo de alguém, tornar alguém o meu mundo... Sempre foi assim. Porém, de repente, hoje tive um insigth: "por que EU não posso ser o meu mundo? Por que tornar alguém dependente da minha presença? Por que me tornar dependente da atenção de outra pessoa?"

Não, definitivamente a felicidade não pode estar no outro. Ela está dentro de mim, precisa estar. Eu tenho que me bastar para viver. É completamente insano esperar por um "bom dia" pra ser feliz.

Num imenso oceano, em meio a uma turbulenta tempestade, eu estava lá, perdida, assustada. Eis que surge um salva-vidas, um lindo e charmoso salva-vidas. Claro que eu agarrei com todas as forças no meu herói. Eu me segurava em seus braços como se fossem a última chance de um sopro de vida...
Mas eu sabia nadar... Eu poderia apenas me apoiar no gentil rapaz, ou até mesmo recusar seu socorro porque afinal, EU SABIA NADAR, só estava com medo. Poderia nadar até a praia e depois desfrutar da companhia do meu doce salvador quando a tempestade já estivesse cessado. Mas não... eu acabei por afogá-lo, tamanha minha ânsia de estar naqueles braços para sempre.

É preciso aprender a não mais devorar a alma de quem se ama. Peço desculpas pela minha intensidade. Nasce nesse momento alguém disposto a se amar primeiro, a viver seus próprios sonhos primeiro. O que eu afogo agora é meu gigantesco egoísmo e a angústia de querer tudo ao mesmo tempo. Enterro meu senso de urgência, na maioria das vezes tão desnecessário. Pensarei nos meus desejos sim, mas como meus. Não mais sob o domínio da escuridão trazida pela saudade. 

Os sentimentos estão aqui. Ainda amo. Amo assustadora e desesperadamente (sim, é possível SIM amar em nossas condições). Mas necessito de outro movimento de translação, o meu sol precisa vir de dentro. Preciso ter brilho para irradiar luz.

É incrível como as palavras acalmam. Os soluços já passaram e as lágrimas que agora caem são de alívio. É só uma questão de ajustar o foco...

God bless you...

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A carta...

Lendo em sua poltrona, sentiu vontade de procurar por uma fotografia antiga. Então, no velho criado-mudo, ela encontrou um envelope com algo dentro...

É em você que eu penso antes de dormir
É sua visita que recebo nos meus sonhos
E é com você que meu corpo arrepia
O aperto no peito de saudade é por sua causa
O brilho que trago nos olhos é consequência desse bem querer imenso
As lágrimas que insistem em cair são sempre por sua ausência
É por você que ouço aquela música que nem gostava tanto
É a sua figura que eu vejo em todos os rostos
É o seu cheiro que eu sinto em todos aromas
É o teu corpo que eu quero sobre o meu a todo instante
E tua voz no meu ouvido é o que me tira o chão
O teu sorriso é o que eu gostaria de ter todas as manhãs
O teu abraço é que me faz sair desse mundo
É de você que eu morro de ciúmes e tenho até tenho raiva de vez em quando
É por você que planejo todo meu dia para sobrar mais tempo pra te ver
É pra você que sinto vontade de contar aquela novidade
É com você que queria sair de mãos dadas na pracinha
Na sua toalha é que eu gostaria de me enrolar depois do banho
Notícias suas é o que eu fico esperando a toda hora
E nos seus braços...  é onde eu queria estar agora.


O papel, já amarelado com tempo, transcrevia sentimentos antigos. A carta jamais havia sido entregue. E o mais assustador é que nada, absolutamente nada havia mudado. Ela ainda queria... ainda sentia...
Dobrou o papel como estava antes e o devolveu ao fundo do criado-mudo. Já não havia mais tempo... Voltou a sala de estar e continuou com sua leitura...

Bacio...

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O poder da atitude.

Para quê afinal viemos a esse mundão louco de meu Deus? Podemos escolher entre ver a vida acontecer ou fazer a vida acontecer. A diferença? ATITUDE!

Eu decido como será meu dia assim que eu acordo. Posso seguir o conselho do meu amigo Zeca: "deixa a vida me levar" ou arregaçar as mangas e correr atrás do que eu quero.

Hoje não ficarei triste. Hoje direi "eu te amo" para aquela pessoa. Hoje me matriculo no curso de Italiano. Hoje. Sempre hoje, nunca amanhã. Esse é o fator de peso para quem quer viver e não ver a vida.














Ter atitude suficiente para não querer fazer nada naquela tarde. Para dizer o que se sente, ou para simplesmente ficar calado.

Atiude para admitir que tem fé, porém, "a fé sem obras é morta" (Tiago 2:17). Sim, até para ter fé em Deus precisamos de atitude. Porque ficar naquela que "Deus proverá" e mater os bracinhos cruzados baby, desculpa o baque, mas nada vai acontecer, ok?

Destino? Sim, pode ser. Certas coisas não parecem mesmo acontecer ao acaso. Mas nos prendermos aos possíveis acasos do destino para desfrutar de algo, me soa como um baita comodismo. Como diria Martha Medeiros: "O destino decide quem entra na minha vida. Minha atitude decide quem fica."

Eu quero. Eu posso. Eu consigo. Como? Começando a tomar ATITUDE!

Besos...

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Em outra órbita...

Era uma tarde comum de final de semana, estavam todos juntos como sempre acontecia. Porém naquela tarde ela se sentiu diferente, diferente demais de tudo aquilo...

Ela não ria mais das piadas e o gosto da comida não lhe era tão agradável. As conversas lhe causavam impaciência. As músicas soavam como um irritante zumbido.

Era tudo tão familiar e ao mesmo tempo incrivelmente estranho. Observava as pessoas como se estivesse em um universo paralelo. Definitivamente ela não fazia mais parte daquele mundo.

Não compartilhava mais os mesmos gostos. Não queria mais as mesmas coisas. Não aceitava mais as mesmas situações.

Como é possível algo se desprender de nós tão bruscamente? E de onde vem esse desejo insano de não mais estar onde sempre esteve?

De repente aquela partezinha da Terra que era tão sua, repeliu-se com tanta força que lhe causava um aperto. A cabeça girava e doía. A angústia de estar ali naquele momento era demasiadamente grande. Ela queria correr... e correu...

Kisses...

sábado, 9 de outubro de 2010

Mentiras...

O que é a Mentira? Por quê mentimos?

Mentimos para as pessoas, para Deus, e o que é pior, mentimos para nós mesmos.

De onde vem a necessidade de mascarar algo e até onde isso é errado? A mentira é realmente sempre a vilã?

Faltar com a verdade. Omitir. São várias as vertentes daquilo que não é real. E por que será que nos atrai tando a possibilidade de fantasiar algo?

O ser humano precisa de ilusões para viver. Posso me atrever a afirmar que, até certo ponto, gostamos de ser enganados. Afinal, a verdade dói, e não queremos nos machucar.

Queremos parecer fortes, então mentimos que estamos bem. Queremos chamar atenção, então mentimos que estamos mal. É mentira no trabalho, em casa, na internet... Seria exagero dizer que vivemos uma grande mentira?

Mentimos para sermos aceitos, mentimos para termos vantagens, mentimos para não magoar alguém, mentimos para não sermos magoados... Até onde vai tudo isso?

São tantas perguntas que envolvem a questão "mentir". Na realidade, dúvidas combinam muito com o blefe. Nunca se tem certeza, há sempre desconfiança.

O certo é que o oposto da mentira é a Coragem! A coragem de falar, de fazer, de sentir. Esse é o real significado da verdade. Porém, ainda muito distante da maioria dos coraçõezinhos...

Beijinhos...

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O que faz você feliz?

Era só uma menininha quando lhe perguntaram: "O que quer ser quando crescer?"
"Feliz!" - respondeu num tom óbvio.
"E o que pretende fazer pra conseguir isso?"
"Hum... não sei. Só sei que é isso que eu quero ser..."

E você? O que pretende fazer para ser feliz? Aliás, o que é a Felicidade? Seria um estado de espírito ou uma condição humana? "Fulano é rico. Beltrano é médico. Ciclano é Feliz."
Nós estamos felizes ou somos felizes? De onde vem isso?

A sensação que tenho é de que passamos a vida em busca dessa tal felicidade e simplesmente nos esquecemos de curtir o caminho. Quem sabe a felicidade não está bem aí, nas estradas que andamos, nas comidas que comemos, nos olhares que cruzamos...

A felicidade me parece ser uma coisa tão pequena e ao mesmo tempo tão maior do que toda essa fantasia que ocupa o imaginário das pessoas.
A insatisfação tem muito mais tempo de devoção do mundo do que o próprio contentamento. "Tenho saúde, sou feliz. Mas quero dinheiro também, ok, sou feliz. E quero ser bonito, tá, agora sou feliz. Hum, preciso ser popular, dedicarei todos os meus esforços para entrar naquele reality show. Preciso de um bom emprego, e ter uma família, ah, e viajar também, e estudar, e ter todas as boas coisas do mundo! Ah, agora sim! Agora eu sou feliz!"
Perceberam que tudo que envolve essa pseudo felicidade sempre vem de fora? Sempre vem do outro? De algo a se conquistar?
Não dá pra ser feliz com o que temos por dentro? É difícil buscar a felicidade somente pelo que somos? É sempre ter, e nunca ser? É sempre macro e nunca intro?

Creio que as crianças e os apaixonados são os mais sensíveis a essa felicidade plena. Quem mais ficaria mais extasiado com uma chuva de bolhas de sabão do que aquela menininha? E como controlar os saltos atrevidos do coração quando ouvimos aquela voz? É isso que eu acredito ser a felicidade na íntegra, vem de coisas simples, coisas que mexem com nossos sentimentos e nos fazer rir sem querer. Mexe por dentro. Vem de dentro. É puro, verdadeiro. E é lindo!

Mais do querer beber todos os vinhos existentes na Itália, ou do desejo de fazer aquele curso em Harvard, ou até mesmo de querer fazer a clássica pose em frente às Pirâmides do Egito... eu quero a felicidade simples. O sorriso sincero daquela noiva no final da festa agradecendo por tudo ter sido como nos sonhos, a sensação de plenitude durante aquela dança, o friozinho na barriga e o sorriso involuntário nos lábios quando ele chega... O contentamento real, possível. Isso sim é felicidade!

Beijokitas!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Comer Rezar Amar

Não, ainda não enlouqueci o suficiente para escrever críticas literárias. Não tenho gabarito para isso. Mas decidi falar um pouquinho sobre esse título porque tem um significado especial pra mim.

Creio que muitos aqui já conheçam, levando em conta a estrondosa repercussão mundial desse livro. Milhões vendidos em todo o mundo. Confesso que resolvi ler por curiosidade, mas já na introdução me apaixonei pelo contexto, pela riqueza dos detalhes e pela maneira leve da escrita.

O livro conta a história real de uma mulher a procura de si mesma. Após um divórcio conturbado e de um namoro difícil, decide sair pelo mundo em busca de sua verdade.

A nível cultural, para mim foi fantástico! Pude aprender como é o dia a dia na Itália; como funciona um ashram indiano e como o povo balinês mantêm o perfeito equilíbrio apesar de tantas provações.

No meu ponto de vista, o mais incrível na história foi a coragem de Liz (Elizabeth Gilbert, a autora) de se entregar. A capacidade de deixar tudo para trás a fim de encontrar aquilo que a faria sentir-se bem. Sem dúvida nenhuma, isso é no mínimo inspirador!

E como nossos queridos da terra do tio Sam não são bobos nem nada, trataram rapidinho de levar essa preciosidade para as telonas. Com ela, a toda poderosa de Hollywood, Julia Roberts, no papel da heroína de sua própria jornada.

E no primeiro dia em cartaz, claro, I was there! Mas como acontece na maioria das adaptações, dificilmente o cinema faz juz a complexidade da obra escrita. Compreensível até, afinal centenas de páginas não caberiam nunca em duas horas de filme. 

No entanto recomendo mesmo assim! Mrs. Roberts arrasa como sempre, os cenários são lindos e as cenas bem montadas. Óbvio que tudo fica muito melhor se tiver lido o livro antes, mas pra quem estiver com preguicinha, o filme manda um recado bem bacana também, vale o ingresso!

"Se você tem a coragem de deixar para trás tudo que lhe é familiar e confortável (...), e se estiver preparada, acima de tudo, para encarar (e perdoar) algumas realidades bem difíceis sobre você mesma... então a verdade não lhe será negada." - Elizabeth Gilbert

Besos!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A doce mania de julgar...


















"Essa mãe é muito mole! Ai se esse menino fosse meu filho..."
"Ah, mas ela é mulher de malandro, gosta de apanhar."
"Percebeu que ele não pára em emprego nenhum? Não gosta do serviço pesado não..."
"Meu Deus! Grávida com essa idade!"
"Ah tá, ele se apaixonou por outra?! Pra mim isso é pura senvergonhice!"

Se identificou com algumas frases? Difícil não termos passado por alguma dessas situações, ter ouvido ou até ter dito algo do tipo.
O ato de julgar é natural do ser humano. Aliás, uma de nossas piores características na minha opinião, pois observar o outro de fora é sempre mais fácil.

Quem nunca desdenhou ou até mesmo julgou fácil a resolução de um problema, e ao passar pela mesma situação se deu conta de que não era tão simples assim?

O fato é que é muito mais fácil dar alguma "sugestão" ou até mesmo meter a língua no sofrimento alheio, do que arregaçar as mangas e ajudar a resolvê-lo. 

Às vezes a ajuda propriamente dita é só questão de ouvido... isso mesmo, às vezes tudo que uma pessoa aflita quer é ser ouvida, sem julgamentos ou opiniões.

E não dá para esquecer que o mundo dá voltas, e que no dia de amanhã a pessoa a ser apontada por algum erro pode ser você. Infelizmente, o mundo é cruel. Todos estamos sujeitos a nos enganar, cometer erros, ou simplesmente nos jogar de cabeça no quê a maioria das pessoas acharia loucura. Acho que boa parte dos julgamentos acontecem aí. Não há coragem suficiente para se viver de maneira plena, e quando a grande massa se depara com alguém corajoso (ou louco) o bastante para se atirar naquilo que acha certo, acabam julgando.

Por mais que se defenda a idéia de era moderna, de novos padrões e novas idéias, o mundo ainda não amadureceu para encarar certas ousadias. Sim, porque ainda é considerado ousadia viver de acordo com sua própria vontade. Experimenta sair do óbvio de crescer-estudar-trabalhar-casar-procriar-morrer. Será considerado aberração pela sociedade, mesmo que de uma forma sutil. Por trás daquele discurso que "o importante é ser feliz", está o anseio do mundo perfeito, com pessoas perfeitas e famílias perfeitas. E, definitivamente, a perfeição não existe! Ops... caiu da cama agora? Sorry baby, bem vindo à realidade, a verdade costuma doer mesmo...

"Deveríamos olhar demoradamente para nós próprios antes de pensarmos em julgar os outros." - Jean Molière

Besos...

sábado, 2 de outubro de 2010

É chegada a hora!

Eu relutei muito em escrever sobre esse assunto. Ainda mais a essa altura do campeonato... Mas não resisti em dar meu pitaco com relação a esse circo todo.

É amanhã. Amanhã temos uma de nossas maiores missões como cidadãos: votar e decidir quem assume o comando do nosso País. Não dá para esquecer que os maiores interessados na eleição de novos (ou não tão novos) governantes, somos nós. Afinal, é para o povo que eles vão governar. São nossos interesses que eles irão defender. É como se fôssemos donos de uma mega empresa e tivéssemos que decidir quem a iria dirigir. Com certeza iríamos pesquisar muito sobre os canditatos ao cargo. Seus antepassados, suas experiências, etc. Para um cargo desses, não dá para escolher o mais bem humorado ou a mulher a mais interessante. Isso é sério pessoal, muito sério.

Mas acho que a apatia do nosso povo em relação à política é uma questão educacional. Ninguém aprende na escola a seriedade implícita no nosso poder de decisão de mudar o País. E se aprendemos alguma coisa, isso não tem continuidade em casa. Sério, não me lembro de ouvir minha mãe falar o quanto o meu voto é importante para a nação.


Engraçado pensar que um direito tão defendido e tão recentemente conquistado (sim, porque não faz tanto tempo que tivemos o "Diretas Já"), não seja devidamente valorizado. É aquela velha história: "quero tanto que quando consigo perde a graça".

Se olharmos um pouco para o lado, quantos paises ainda vivem em regime de opressão, onde não se tem o direito de falar e reinvindicar o que se deseja? Não estou aqui batendo palmas para a nossa pseudo democracia, apenas estou frisando que temos uma das melhores armas de combate e simplesmente não apertamos o gatilho. Por medo, por comodismo, por conveniência...

Comentar sobre o perfil de nossos canditados (a quê quer que seja) chega a ser desanimador, eu sei. O horário eleitoral virou um show de Stand Up misturado com Playboy TV passando pela Igreja do pastor sei-lá-o-que. Chega a ser bizarro tanto absurdo! Mas também creio ser uma questão de educação a formação de nossos candidatos. Enquanto não tivermos uma base sólida nas escolas, com pais também preparados, não se poderão formar cidadãos capacitados para a política. Salvo algumas raras exceções (ainda bem!).

Enquanto essa visão utópica não vira realidade, temos que cozinhar com os ingredientes disponíveis mesmo. Talvez não saia um banquete, mas se todos coloborarmos um pouquinho, ao menos vamos conseguir comer (razoavelmente) por mais quatro anos... Pensem nisso!!!

Beijokas!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Confusões de um coração atordoado...

"Angústia...
Dúvida...
Anseio...

Parar ou continuar?

Saudade...
Tristeza...
Dor...

Tentar ou esquecer?

Paixão...
Carinho...
Ternura...

Sonhar ou acordar?

Desejo...
Desespero...
Loucura...

Insistir ou desistir?"

(autor desconhecido)

Que atire a primeira pedra quem nunca teve tantas perguntas no coração. E um aperto tão forte a ponto de se sentir físicamente machucado...
Penso que para ser feliz vale tudo (menos roubar e matar, ok?). Devemos sim correr atrás da felicidade sempre! Porém com cuidado, pois às vezes "essa tal felicidade" pode estar correndo na direção contrária, e propositalmente...



Bacio!