quinta-feira, 11 de abril de 2013

Tirando a poeira

É como se aqui fosse uma folha velha. Um papel encardido e empoeirado que aos poucos se embeleza com a cor do tinteiro. Umas passadas firmes com a mão pra retirar o excesso de tempo e as pautas vão revelando um charme que só a experiência é capaz de dar. E quanto vivem as pautas da nossa vida.
E o tempo vivido me dá liberdade de fazer o que for com as letras, com a poeira, comigo. Posso dizer que o tempo me ensinou a sem-vergonhice que emagrece os quilos da responsabilidade. 
Quando se tem um pouco de poeira nas costas, meu caro, não se dá tanta importância a corretismos ou baixezas. A aspereza do pó faz qualquer traço de atitude sair mais leve. A gente já não marca as folhas como no colégio. Ficavam fundas do outro lado, lembra? Não, agora não... agora o punho desliza sujando um pouco do dorso que detalha as sutilezas, a simplicidade. O realismo dos momentos que também diminui a paciência com gente aparentemente limpa demais, que tudo ama, tudo critica, tudo se abstém. Gente escrota precisa de um pouco de pó da vida pra conviver em sociedade. 
Um pouco de poeira humaniza a história da gente. 

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