quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A garotinha e o vaga-lume

Ela era uma garotinha triste, daquelas que não brinca, não tem amigos. Gostava de ficar sozinha fazendo desenhos na areia do playground de seu prédio.
Certa vez, quando já era quase noite, avistou uma luz pequenina que acendia e apagava rapidamente. Era um vaga-lume.
Seus olhinhos brilharam muito ao ver algo tão mágico! Como era possível uma luz tão pequena se mover tão rápido, acendendo e apagando a todo instante?
Teve a face iluminada com a luz daquele bichinho curioso. Uma novidade para uma menina que vive em meio a prédios e concretos. O entusiasmo foi tão grande, que ela passou a descer para o playground todos os dias no mesmo horário para ver seu mais novo amigo.
O intrigante é que o vaga-lume voltava também. Todas as noitinhas ele parecia passear ao redor da garota, arrancando sorrisos e ainda mais encantamento.
No entanto, o que era só para admirar, ela quis pra si. Queria o vaga-lume sempre perto, noite e dia. Então em uma das noites, ela levou consigo um pote de vidro. Afinal ali poderia ter por perto seu amiguinho iluminado pra sempre.
O vaga-lume, que já estava gostando muito da companhia da garotinha, ficou surpreso ao ver sua amiga querer prendê-lo. Ela, por sua vez, não imaginava que fosse tão difícil capturar o pobrezinho. Já na escuridão da noite, onde só se via um ponto de luz que se movia muito rápido, era impossível prever para onde ele iria.
Ela mirava, mirava, mas obviamente nunca iria acertar. E isso perdurou por dias. Ficou obcecada pela idéia de ter consigo seu único amigo, o único serzinho que trouxera luz aos seus dias. E para o vaga-lume, o que era um momento agradável tornou-se uma tortura.
Até que, aqueles poucos instantes diários de diversão viraram sofrimento. Não demorou muito para o vaga-lume partir...
A garotinha voltou a ter o semblante sombrio, e suspirava de saudade dos momentos de luz e alegria que havia vivido ao lado do seu único amigo, o vaga-lume. E ele? Ele a observava de longe, torcendo para um dia ela compreender que, quando as naturezas são diferentes, os desejos podem não ser os mesmos... e é possível ser feliz com quem se ama, sem ter que prender.

3 comentários:

  1. Por que será que nem me surpreendo mais com seus textos?

    (Bom, como eu tenho mania de responder pergunta retórica, lá vai.)rsrs

    Não me surpreendo porque sei da sua qualidade. É muito fácil acostumar com o que é bom, trenzim! Você atingiu um certo patamar que merece realmente ter um livro publicado.

    Bjim.

    @ChrisRibeiro

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  2. Nossa Ferrrr viajei lendo esse texto, lindooooooooooooooo...

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  3. Texto de ampla leitura e cheio de significados.

    Como sempre, parabéns!

    Beijo no coração.

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